domingo, 9 de maio de 2010
domingo, 2 de maio de 2010
Rondônia começou a existir quando o pessoal do Cândido Rondon abriu a linha telegráfica, daí o nome. A linha aberta virou a estrada que alcança e corta o estado hoje em dia. O que a região teve de história antes disso, foi história dos habitantes anteriores, os índios, que não merece muito destaque no imaginário nem na cultura daqui. No Amapá, por exemplo, a população foi se construindo aos poucos enquanto sociedade num processo de mescla, de vinda de ribeirinhos indígenas para a cidade, e se juntando ai a forasteiros que foram lá tentar a vida, desde franceses nos séculos antes, até uns perdidos hoje em dia, e a negros escapados da escravidão na guiana. O que resultou foi uma sociedade onde dá pra ver uma história, uma influência do seu passado, apesar da velocidade das mudanças.
Rondônia é diferente. É uma extensão do sul do Brasil, pelo menos pelo pouco que eu vi, tive essa impressão. É raro ver um avô com seus netos nascidos aqui. As referências de passado das pessoas não são enraizadas onde elas vivem, dizem o "na minha terra" localizando o passado noutro espaço. São junções de histórias que não se identificam juntas bem como a história de um lugar. Disso nasce um lugar sem história, que não olha para si como coletivo. As ruínas do posto telegráfico de Rondon são um canto qualquer que quase ninguém sabe que existe.
Como espaço de gente que veio tentar melhorar a vida, ganhar dinheiro, é um espaço imaginado de projeção do desenvolvimento, de anseio econômico, de olhar só pra frente. De não olhar para si - qual si sem passado? - e olhar para fora buscando longe, no sul, suas referências.
Um olhar parcial, meu, que estou aqui a pouco tempo, e meio de mal humor. Ou seja, pode ser pode não ser.
domingo, 18 de abril de 2010
OS TUPI KAWAHIVA
Vários cantos da amazônia foram desbravados muito depois da colonização efetiva do resto do Brasil. Alguns cantos só no início do Século 20, com o exército da borracha. Na explosão do fordismo, a única fonte de borracha da indústria yankee era a amazônia. A entrada dos exploradores brancos nesses rincões causou sempre vários rearranjos na ocupação indígena, pelas guerras com esses invasores, epidemias, e pela inserção política dos brancos nas guerras dos próprios índios, se aliando a uns contra outros. Foi uma total reorganização da ocupação indígena.
No pontal Mato Grossense, aquela pirâmide que tem em cima do Mato Grosso, as primeiras informações registradas de viajantes são do início do século 18. Cuiabá já era uma cidade conhecida, e de lá eles subiam de barco pesquisando ouro até lá em cima (imagina as viagens que fizeram esses caras), vasculhando o que hoje é o limite com o estado do Amazonas. Lá nesse pontal tinham os índios Apiaká, os Kawahiva e os Mundurukú, e com certeza outros. Os kawahiva começaram a migrar para oeste em função destes embates com brancos, e em função da aliança destes com os Munduruku, seus inimigos caçadores de cabeças-troféu.
Juntando pedaços dos relatos variados, se descreve a migração dos kawahiva para oeste, até chegarem onde hoje é o noroeste do MT, sudoeste do AM e Rondônia. Migrações tupi em geral em levas, ao longo do tempo, chegando ali entre 1800 e pouco e 1900, espalhando diferentes grupos por diferentes lugares.
Procurando sossego por lá, continuaram a se embater com a chegada da colonização. Os Parintintin, povo kawahiva, viveram várias guerras onde hoje é a cidade de humaitá. A galera caçava os índios, e eles revidavam como podiam. Outros grupos Kawahiva foram "encontrados" na abertura da trans-amazônica, os tenharim, os Juma, urueuwauwau, djahui, e outros. eram subgrupos de um mesmo povo, que viviam entre a aliança, a guerra e o comércio.
Como um povo Tupi, os kawahiva migram em pequenos grupos, de as vezes duas famílias nucleares. Alguns desses grupos foram desde toda essa história se embrenhando na mata, fugindo, se escondendo, sobre sub vivendo. Os pequenos grupos kawahiva que ainda hoje (!!) vivem isolados, em manchas de mato nos confins de fazendas de gado, desenvolveram uma forma fugitiva de vida, de migração perene, de não fazer roça, de não deixar rastros. Vários com certeza foram assassinados por peão de fazenda nos últimos anos, e alguns resistem, bravos. Tentam ser eles mesmos com um mínimo de paz. Dependem da bondade dos caras que os vêem primeiro, dos próprios saberes para se virarem em fuga, e da ação da FUNAI. Eu vi um tapiri, uma cabana, de dois caras que vivem só, e pensei nessa história toda. A casinha tá lá, eles tão lá.
sexta-feira, 16 de abril de 2010
BELO MONTE
O PESSOAL QUER FAZER A BARRAGEM
PRA BARRAR O RIO DE SEGUIR A VIAGEM
FAZER UM LAGO PRA GERAR ENERGIA,
MAS NA BERA DO RIO TAMBÉM TEM DIA-DIA
SE HUMANIDADE É O CENTRO AGENTE CRESCE SOZINHO,
MAS AGENTE É PEQUENO E O MUNDO É O NINHO.
A NATUREZA É LÁ FORA, EXPLICA A CIÊNCIA,
MAS AGENTE NO COSMO, NÃO TEM PREFERÊNCIA.
DIZ QUE PRA MELHORAR E CRESCER
MAS NO FUNDO NO FUNDO
É SEMPRE O PODER.
CRESCER É BOM PRA NÓIS FICAR BEM
MAS PENSAR COM RAZÃO FAZ PARTE TAMBÉM
PRA BARRAR O RIO DE SEGUIR A VIAGEM
FAZER UM LAGO PRA GERAR ENERGIA,
MAS NA BERA DO RIO TAMBÉM TEM DIA-DIA
SE HUMANIDADE É O CENTRO AGENTE CRESCE SOZINHO,
MAS AGENTE É PEQUENO E O MUNDO É O NINHO.
A NATUREZA É LÁ FORA, EXPLICA A CIÊNCIA,
MAS AGENTE NO COSMO, NÃO TEM PREFERÊNCIA.
DIZ QUE PRA MELHORAR E CRESCER
MAS NO FUNDO NO FUNDO
É SEMPRE O PODER.
CRESCER É BOM PRA NÓIS FICAR BEM
MAS PENSAR COM RAZÃO FAZ PARTE TAMBÉM
quarta-feira, 17 de março de 2010
CALENDÁRIO COLETIVO TERRESTRE ou SÃO JOSÉ E A RIBAÇÃO DO TRACAJÁ
Entre fins de março e começo de abril para de chover na amazônia, começa o período da estiagem. Até fins de setembro, começo de outubro, chove pouco, às vezes nem chove. Em agosto, tá tudo bem seco, os rios mostram suas praias, outrora leito. Nessas praias os tracajás, um quelônio muito comum na amazônia cuja carne e ovos são parte da culinária indígena-beiradeira, botam seus ovos. Mas a areia muito seca se esfarela, e não tem consistência para que ele CAVE UMA COVA para ponhá-los. Só que a natureza é sábia. Na segunda quinzena de agosto, mas precisamente dia 24 de agosto, ocorre uma grande chuva, que não enche o rio mas umidece suas beiras, para que o tracajá vá pra riba e ponha seus ovos. É a ribação do tracajá. Depois dessa chuva as pessoas vão para as praias procurando essas covas, enfiando pequenos paus nas partes fofas, ou para onde vão seus rastros. Quando a ponta do pau sai suja de amarelo, tem uma cova. A gemada, do ovo cru com farinha, é muito boa e forte.
E mudando de assunto sem perder o fio, dia 19 de março cai a última grande chuva da estação das chuvas, a chuva de são josé. Esse ano parece que ela se adiantou, caiu dia 16. Encheu os rios e atravessou a estrada, e por isso eu estou aqui sentado teclando e não estou no mato arrumando minha boroca para ganhar a mata. (Tomara que a do dia 19 tenha mesmo se adiantado e não esteja se ajeitando no céu, pois vou tentar de novo dia 20).
Admiro muito o pensamento dos índios por ver nessas conexões, ciclos, imbricações, mais do que a natureza e sua lógica, mas relações entre seres de igual teor em espírito, mesmo que diferentes. Causas e consequências das ações das essências das coisas, e não mecanismos sem pulso como uma ampulheta certeira.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Casa pra mim é o espaço compreendido num raio de três metros de meu cafofo nômade, onde me bagunço e espalho badulaques, utensílios e desprezos. Onde conserto. Escuto musica e sereno. Minha vida ficou assim sem raíz e virei sujeito híbrido sem fico. Amizades de sempre fazem falta, mas sensação de início também anima, início de estadas, tenho vários feixes que me ligam de um jeito a pessoas que conheci por estradas e que nunca mais eu vou ver, mas lembro delas e das coisas em volta e sinto que assim trago ligações, que de prático nada significam, mas que me dignificam pelo que vi nas dadas horas ligadas, e assim construo eu, que tento ser algo. Longe dos reais brothas - que de reais sempre brothas -, cumprimento o caixa do mercado, a morena frentista shell, o mecânico, =relacões comerciais que não são só, e nelas me insiro de corpo presente e cultivo conversas de parede que são para mim assuntos de primeira instância. Ainda que lascado, vou fazendo pequenos amigos pelo brasil, a única grandeza que carrego.
quinta-feira, 4 de março de 2010
Amazônia de ontem e de manhã
Conversando com o pessoal da velha guarda, indigenistas e outros de outros cantos, ouço bastante o tal do "no meu tempo"... Olhares de antigamente que enxergam o hoje com outros olhos, que viram a metamorfose, as sínteses que foram rapidamente mudando estes rincões. Contam dos lugares mais isolados, dos vagos mais espaçados, de vastas árvores onde hoje tem pastos, de regiões de índios antigas, hojes habitadas por bois. Relatos até difíceis de imaginar, vindos de olhares sábios.
E eu fico pensando como será o mundo, e como será a Amazônia, quando eu estiver contando que "no meu tempo"... Vou dizer que no meu tempo as fronteiras eram empurradas a passos largos. Que no meu tempo havia no ar uma mistura de esperança com caminhos alternativos e uma certeza do inevitável desenvolvimento, do porvir humano. Que no meu tempo se falava que o país devia crescer e eu achava que tinha que diminuir e distribuir, que tinha que envolver e não que desenvolver. Que no meu tempo apesar do avanço de tanta coisa a amazônia ainda era vista como um oeste americano a ser varrido e plantado. Vou dizer que no meu tempo eu sentia uma angústia quanto ao que todos diziam que ocorreria, que a tirada do mato depois de um ponto era irreversível, e que não tinha jeito, "a vida é essa". Que essa angústia misturava na goela com o pó do barro da estrada hoje (amanhã) asfaltada. Vou dizer que naquele asfalto eu já atolei muito. Que no meu tempo essa região era habitada por caminhoneiro puxando madeira, por peão de boiadeiro, por gente humilde e solidária, que era a mão de obra, o executor de um projeto destrutivo no qual não tinham opinado. Que para ganhar o pão, trabalhavam para quem dominava o país e transformava a Amazônia num grande pasto para exportação, para pouca gente ficar rica.
Vou dizer também que no meu empo havia um conflito de forças e de interresses sobre a amazônia. De um lado uma parcela de gente que acreditava que a amazônia era uma riqueza não só financeira, mas um patrimônio espiritual, cultural, biológico, e coisas mais que não cabem na compartimentação de nosso saber. E de outro a maioria, que queria poder comprar os melhores eletrodomésticos e ter o melhor carro, e foda-se o custo global disso. E o problema, direi, era que os do primeiro time emperravam na burocracia para implementação das boas leis, na falta de articulação, e na falta e poder frente o segundo time, que era mais rico e controlava as esferas do poder em brasília.
Tomara eu chegue lá pra contar. Tomara não seja tudo uma savana, tomara quando eu conte meu relato não seja totalmente distante da realidade, que seja bem crível e pouco incrível. Tomara eu não diga "sorte minha que vi". Tomara, mas não sei não hein.
terça-feira, 16 de fevereiro de 2010
Ao invés da burocracia, confiança e cobrança
O avanço das coisas públicas deve ser como uma carroça em que um elástico une o cavalo à carga. o apressado do passo demora a chegar no que realmente importa - a carga. Muita coisa tem melhorado eu acho nos governos e nessas coisas, mas pra uma cultura gerencial chegar as bases de funcionamento da administração pública ainda está longe. as pessoas que executam as políticas ´públicas, os servidores que agente paga, são em geral (mas nem sempre) embebidos de uma cultura organizacional que previlegia os processos e não os resultados. O importante é encaminhar corretamente o ofício, pegar o carimbo, protocolar o efetuado, encaminhar no prazo para o setor responsável. Se nada funcionar, se nada der certo, não importa, você fez sua parte e cumpriu o protocolo. Como se as formas existissem para si e não para servirem a um propósito, em função do qual fossem sempre revistas e refeitas, e até burladas para o bem comum. Uma cutura de resultados, gerencial, ainda está longe da base da pirãmide do funcionalismo. Uma cultura que descentralize a responsabilidade e instaure a cobrança imparcial, com base em resultados. Descentraliza o recurso, põe na mão do servidor, e cobra o resultado. Ela fará o mesmo com seus funcionários, criando um corpo gerencial p ara o funcionalismo. Mas não. Com medo de que o cara roube, se faz um enorme caminho para que os recursos cheguem onde são demandados. A burocracia que tanto foi importante no esforço de combater o clientelismo e o estado patrimonial virou um rato de laboratório correndo numa esteira, vive para si, enquanto as pessoas na base que tentam de verdade implementar as propagadas políticas públicas penam para o fazer, demandando um pouco mais de confiança, para que se descentralize a administração.
sábado, 13 de fevereiro de 2010
SPLASH FLASH LIGHTS
O sereno subindo em fumaça logo cedo. Centenas de poças dágua, umas pela altura do guidão. 5 quedas, duas feias. Guidão amassado, carter trincado, uns caras gente fina que me arrumam um litro de óleo. Umas 20 reposições de óleo. Gambiarra nos cicuitos do motorde arranque, sentado na ponte do rio madeirinha, que bombava, jorrava o marasmo do verão seco longe. Numa curva uns 200 metros do rio sobre a estrada. Moto pesada. To todo moído. O gado destrói a amazônia, mas num baixão que passei a vista do pasto, com as montanhas de mato no fundo, bonito. Solidão dos bois quevivem bem, até que morrem. Um ceuzão estrelado acima, fui olhar e quase caio. Cair não é bom não. Mas faz parte. No atoleiro, três motoqueiros, juntos passamos a moto de um de cada vez. E era a primeira vez que eu andava de moto, não queria que eles percebecem. Acho que enganei bem. Falei que tava empenada. ´ndios gavião na estrada, de tarde, terra deles. Eu não achei que não ia chegar. Depois 30 km de asfalto, muita chuva no olho. Meu olho ficou muito vermelho, no restaurante achavam que eu fumara maconha. só faltava.
Uma mulher sozinha em seu caminhão amarelo puxa madeira nesses confins de mato grosso.
Uma mulher sozinha em seu caminhão amarelo puxa madeira nesses confins de mato grosso.
domingo, 31 de janeiro de 2010
POR 2 POR quê?
Por quê por 2 sair e mudar, por que por dois dispender recurso, por que por 2 mobilizar pessoas e granas, e comprar brigas, e se meter em meios, e impedir, e embargar? Porque são dois por todos, por outros de quem trazem histórias, de quem trazem uma língua e uma visão de mundo e uma existência, uns gens, uns cortes de cabelo, umas coisas. Umas músicas até, e umas flautas, e uns jeitos de matar comida, de coser. Porque são só dois acuados porque outros de nós lhes apertaram contra a parede, contra as árvores, e lhes deixaram em situação ruim. Porque nossa guerra frente eles trouxe talvez tretas novas no grupo que os fez se separar. Que talvez lhes tenham matado os parentes todos, e imagina dois que perderam tudo, se fossem dois de classe média alta, brancos e sadios, bonitos, dos dentes brancos e de boa cultura, se não se teria dó, se não haveria comoção e doações de recursos e psicólogos e tantas coisas mais. mas a vida tem mais valor quanto mais inserida em nosso paradigma é a pessoa, e assim muitos me questionam, por que por 2. E eu fico meio puto com esse incômodo dos outros. Por dois, por um, foda-se, humanidade não tem rótulo nem número.
MEU PARCEIRO JAMANTA, AMIZADE OLFATIVA
Se eu tivesse em são paulo sairia, veria amigos, seria bom, sacearia anseios do espírito e do corpo, procuraria coisas que talvez achasse, que me fazem falta, mas em todos os lugares algumas coisas faltam, e viver é escolher com quais faltas se pode have a deal.
E umas coisas que vivo são ímpar e me fazem feliz. Uma delas é um amigo estranho que fiz. Ele é um bicho. Já tive amigos outros também bichos. Cachorros em geral, como de praxe, dava abraços e tal. Quando pequeno tive uma coelha chamada raquel, que morreu.
Mas outro dia no barraco veio uma anta, um macho, bem perto, comendo brotos de mandioca. Cheguei bem perto, tipo dois metros. Ele me olhava, comendo, tranquilo. O nariz dele é tipo uma tromba de elefante diminuída, miúda. Mexia ela, rodopiava pelo ar, como me mapeando pelo cheiro, e eu não tava lá muito cheiroso. Mas acho que ele foi com minha cara, ou com meu budum. Ficamos ali, perto, eu conversava com um outro parceiro (humano) falando alto, e ele nem ai. Olhei no olho dele e ele no meu.
Outra noite, anteontem na verdade, eu tava com uma certa insônia. Aquela que você deita com sono mas vem à mente coisa várias da vida, situações e soluções projetadas, e você anseia. Ai ouvi uns meio cacarejos das galinhas, depois uns cacarejos todos, uns gritos, uma nóia delas. Achei que era a onça, peguei a 22, fui lá com a lanterna, desperto de um sono desperto. Passei a casinha do banheiro e foquei pro lado do galinheiro, dei de cara com dois olhos brilhantes bem perto de mim, falei fudeu, a onça bem aí. Mas era o jamanta, tranquilão e noturno, tentando entrar na horta. Me olhou como criança fazendo merda. Cheguei bem perto. Reconheci que era ele pelo carrapatão criado, na pata. Um filhotão, magro. Apaguei a lanterna, a lua bem forte, alta. Ficamos na luz da lua, e ele estava bem em paz. Bem em paz mesmo, tranquilo. reclamou um tanto e vazou, se embrenhou na capoeira. Mas ele confia na gente. Acho que ele é até amigo nosso.
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
NA TAL DATA
O que é o natal pra vc, perguntei pra uma galera nos últimoa dias. Porra nenhuma disse um. Uma data bonita. É legal. É festa. Acho que há tempos o sentido religioso, aniversário do popostar jesus, ficou em segundo plano, e virou uma grande confraternização de "puta acabou o ano", beber e relaxar do stress do trampo em dezembro.
Minha vó diz que a TV estragou o natal, que as pessoas ficam vendo o que os outros Têm, querem também, uma sede de consumir e ter e ser que desvirtua o prazer de presentes simples. Minha vó disse que as vezes parentes do sul iam passar o natal com ela e levavam maçã, lá não tinha maçã, então era esse o presente de natal,maçã, e ela ficava muito feliz. É difícil ficar muito feliz no natal hoje, disse ela com outras palavras, palavras dela, de vó. Muitos natais ela viu, ela sabe.
O meu natal mudou nos últimos tempos eu acho, se pá porque quando criança era bem mais especial, o jantar tarde, esperar a hora dos presentes, na casa da vó pequena, apertada, acolhidos todos. Mas sei lá, acho que a família depois de crescer ficou mais distante, a convivência de menos perene fica menos sincera e real, e eu sinto falta mais de ter todo mundo perto, vivendo junto. Psicologias em meio a vida social nossa.
Mas eu curto um sentimento no ar. Sem entrar nas convicções religiosas, mas tem um sentimento de "a colheita é comum, mas o capinar é sozinho". cada um roçou seu terreiro o ano inteiro, bora se junta e fazer um brinde pelo que foi e pelo que virá.
Minha vó diz que a TV estragou o natal, que as pessoas ficam vendo o que os outros Têm, querem também, uma sede de consumir e ter e ser que desvirtua o prazer de presentes simples. Minha vó disse que as vezes parentes do sul iam passar o natal com ela e levavam maçã, lá não tinha maçã, então era esse o presente de natal,maçã, e ela ficava muito feliz. É difícil ficar muito feliz no natal hoje, disse ela com outras palavras, palavras dela, de vó. Muitos natais ela viu, ela sabe.
O meu natal mudou nos últimos tempos eu acho, se pá porque quando criança era bem mais especial, o jantar tarde, esperar a hora dos presentes, na casa da vó pequena, apertada, acolhidos todos. Mas sei lá, acho que a família depois de crescer ficou mais distante, a convivência de menos perene fica menos sincera e real, e eu sinto falta mais de ter todo mundo perto, vivendo junto. Psicologias em meio a vida social nossa.
Mas eu curto um sentimento no ar. Sem entrar nas convicções religiosas, mas tem um sentimento de "a colheita é comum, mas o capinar é sozinho". cada um roçou seu terreiro o ano inteiro, bora se junta e fazer um brinde pelo que foi e pelo que virá.
sexta-feira, 4 de dezembro de 2009
ÉGUA DO JACARÉ PORRUDO

Purussaurus foi um jacaré gigante que viveu na Amazônia há cerca de 8 milhões de anos atrás. Os indivíduos deste gênero, quando adultos, poderiam alcançar mais de 12 metros de comprimento. Tinha poderosas mandíbulas, dentição típica dos carnívoros, capazes de destroçar ossos e carapaças. Foi um predador de topo de cadeia. Purussaurus é conhecido hoje como o maior jacaré que existiu no planeta em todos os tempos. Um verdadeiro devorador de animais. Segundo nossos estudos, a estratégia de caça desses jacarés não deveria ser diferente das estratégias utilizadas pelas espécies de jacarés atuais, principalmente a dos crocodilos africanos do Rio Nilo, os maiores dos dias atuais.
Texto e foto tirado de http://blogdaamazonia.blog.terra.com.br/ - Altino Machado
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
Aguardando Cristo
Era um grupo de mulheres da zona sul, moravam nas imediações ali do Jardim Monte Azul, bem, onde a M´boi Mirim (M´boi=cobra, mirim=pequena, mais ou menos) acaba e bifurca. Eu comecei a trabalhar com o grupo no andar da carruagem, elas já vinham juntas há tempos. Tinham o plano de montar uma revenda de fraldas descartáveis no bairro. No primeiro dia que cheguei, na entrada da igreja -local do encontro - terminava uma feira, se desmontava. Afora as pessoas catando os restos dos legumes no chão, me impressionou uma mulher carregando uma carcaça de boi, parecia um quadril, só o osso, sujo, que pegara do chão. Viraria um caldo, presumi. Crueza. Eu havia almoçado há pouco, digeria ainda aquilo tudo.
O diálogo com o grupo era com sua líder, mulher imponente, decidida, segura. Percebi que eram todas evangélicas fervorosas e que aquela liderança vinha da igreja, de outra esfera de relações.
Tocamos o barco. Pesquisamos os preços das lojas em atacado. Vimos os fornecedores. Pesquisamos o mercado: as mães e parentes na frente da creche no bairro. Disseram que comprariam pelo preço que projetávamos. Alugaram uma lojinha, que um dia amanhecera cravejada de bala. Disseram para eu não ir mais de carro. Na lojinha iam vendendo umas roupas antes de estruturar o negócio. Fizemos o plano de negócio, condição para pegar o empréstimo no banco do povo, microcrédito da prefeitura petista. Tudo parecia fluir, eu me animava com a possibilidade de ver um grupo decolar, depois das degringoladas que presenciara em outros, em quase todos, na verdade. Fomos lá na semana do empréstimo, entramos e a mulher nos disse logo, direto: desistiram. Paravam ali. Não queriam mais. Perplexos, eu e minha colega. Bonita ela, aliás, a colega.
Mas como assim? Por que?
- Esperávamos até a última hora por um sinal de Cristo para pegar o empréstimo. mas ele não mandou.
Nunca mais as vimos.
domingo, 29 de novembro de 2009
Nossa vida petrolífera
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No interior da amazônia Equatoriana a extração de petróleo na floresta causa danos ambientais, afasta possibilidades de felicidade nas comunidades contaminadas pelo resíduo da exploração. O presidente Correa tenta através da diplomacia conseguir o financiamento de países ricos para não explorar-destruir a área, vender o petróleo que não vai explorar. E em cima do petróleo índios isolados em suas terras tradicionais.
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http://www.timesonline.co.uk/tol/news/environment/article6931573.ece?token=null&offset=0&page=1
No interior da amazônia Equatoriana a extração de petróleo na floresta causa danos ambientais, afasta possibilidades de felicidade nas comunidades contaminadas pelo resíduo da exploração. O presidente Correa tenta através da diplomacia conseguir o financiamento de países ricos para não explorar-destruir a área, vender o petróleo que não vai explorar. E em cima do petróleo índios isolados em suas terras tradicionais.
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