Trabalhei por dez dias com quatro pesquisadores Wajãpi, Japu, marãte, nazaré e Patiré. São parte de uma turma de 19 jovens pesquisadores, que são formados há algum tempo, e que pesquisam dimensões, assuntos, vias de acesso do conhecimento tradicional Wajãpi. Eles tem o desafio de sistematizar informações e de ver seu saber como um sistema, que pode ser comparado ao conhecimento dos brancos, já que são sistemas diferentes. Japu pesquisa as narrativas sobre o YvY Popy, a borda da terra, o local onde a terra, plana, termina. Lá as borboletas amarram com cipós o céu para que este não caia, e lá é possível ver as borboletas em sua forma essencial, como gente. Ele deve seguir pesquisando outros assuntos do céu, da casa do urubu de duas cabeças (ver narrativa neste blog), de para onde vamos ao morrer.
Marãte pesquisa os Mijarã posã, plantas que usadas para se afastar o panemã, para trazer sucesso nas caças. Após entrevistar vários velhos sobre as formas de uso destas plantas, pretende agora entrevistar jovens para ver como este saber é ou não praticado na geração seguinte, e por que. Nazaré, mais velha e com uma certa dificuldade em escrever e falar português, estuda o algodão. Da onde veio a semente do algodão (de uma ferida do deus mítico, do Yvy popy, diferentes hipóteses), e quem ensinou o trabalho com o algodão, o tecer. patire pesquisa os sinais, assim ele traduz mas esta tradução como tantas outras não é eficiente. São entes, que ele pesquisa se são como pessoas, que avisam sobre coisas: se alguém está chegando, se alguém vai morrer. O coamba cantar de noite, encontrar um jabuti gigante, um tamandua vir na aldeia, são sinais.
ATÉ NO LIXÃO NASCE FLOR
quarta-feira, 25 de março de 2009
Por quê urubu vegetariano?
Bom, nem eu sei bem na verdade. Eu não sou vegetariano, adoro carne, mas poderia o ser se as circunstâncias assim o pedissem. Não tem um grande significado, embora as pessoas perguntem qual é. As pessoas gostam de significados; me perguntam: o que significa este peixe tatuado no seu braço? Ao que respondo: Nada. É um peixe. Eu gosto de peixe. Se perguntares por que gosto de peixe, ai sim, tenho minhas razões.
Mas me agradou a imagem de um urubu vegetaruano. Não que eu tenha nada contra sua natureza de digerir o podre, pelo contrário, ante ontem tinha um gato podre na minha rua e eles mandaram bala, adorei. Travessa julião ramos, jesus de nazaré, meu novo endereço, de tantos endereços que já tive. O que você faz? Coleciono endereços. Simples assim, ou não.
Mas o que seria dos urubus se um dia, por alguma razão prática do mundo, nada filosófica ou epistemológica, tivessem de deixar de comer as carniças? Teriam sua capacidade adaptativa posta a prova. Pois é, acho que é a capacidade de superação e adaptação, o resistir ao bucho podre cheio de vermes suculentos, o que me animou. Num terreno cheio de coisas podres derretendo em líquidos orgânicos, talvez não existam flores por causa da bosta enzimática dos urubus. Talvez se descobrirem isso e fizessem dias de jejum (caso a natureza os pedisse isso em forma de privação), permitiriam que as flores nascessem em meio ao lixo, e talvez sua bosta de flores enriquecesse mais o limo, que seria assim agora um campo de flores onde eles se alimentariam. Como disse, nada contra eles comerem podridão, talvez seja uma metáfora da humanidade. Talvez não, não sei bem.
Mas me agradou a imagem de um urubu vegetaruano. Não que eu tenha nada contra sua natureza de digerir o podre, pelo contrário, ante ontem tinha um gato podre na minha rua e eles mandaram bala, adorei. Travessa julião ramos, jesus de nazaré, meu novo endereço, de tantos endereços que já tive. O que você faz? Coleciono endereços. Simples assim, ou não.
Mas o que seria dos urubus se um dia, por alguma razão prática do mundo, nada filosófica ou epistemológica, tivessem de deixar de comer as carniças? Teriam sua capacidade adaptativa posta a prova. Pois é, acho que é a capacidade de superação e adaptação, o resistir ao bucho podre cheio de vermes suculentos, o que me animou. Num terreno cheio de coisas podres derretendo em líquidos orgânicos, talvez não existam flores por causa da bosta enzimática dos urubus. Talvez se descobrirem isso e fizessem dias de jejum (caso a natureza os pedisse isso em forma de privação), permitiriam que as flores nascessem em meio ao lixo, e talvez sua bosta de flores enriquecesse mais o limo, que seria assim agora um campo de flores onde eles se alimentariam. Como disse, nada contra eles comerem podridão, talvez seja uma metáfora da humanidade. Talvez não, não sei bem.
sábado, 21 de março de 2009
Urubu ao pé d´ouvido
Notícia no município de Oiapoque: Veterinário é nomeado secretário de saúde (detalhe: é verdade); corinthians desmonta TODO o time feminino por falta de verbas. A folha de pagamento das mina girava entre 70 e 80 mil mensais, e o merda do Souza ganha 120 mil por mês. Ué mais não saiu muito na mídia... Henrique promoveu churrasco no qual Mario se encontrou embriagado lá pelas tantas, mas foi salvo por uma costela de porco saideira. Nenhuma manga caiu na minha cabeça, ainda. Tomo açaí todo dia, espero não pegar doença de chagas. O futebol de rondônia está em crise. Na fronteira do Brasil com o Peru está a maioria dos povos isolados do mundo. (Vamo mudá pra lá e se isolar????)
quinta-feira, 12 de março de 2009
Coisas do Brasil
Acho que no Brasil inteiro se rouba dinheiro público, mas aqui a coisa é muuito na cara lavada. Segundo dizque, o Waldez góes, governador do estado (reeleito) comprou tanto voto com vales combustível que o estado não tinha lastro pra pagar os vales. Um amigo meu não foi para um interior trabalhar porque os carros do estado não tinham gasolina. A petrobrás cobra dívida do governo - dos vale votos - para enviar gasolina pros carros públicos.
o mesmo Waldez responde em brasília a um processo de cassação por suposta (escancarada) fraude eleitoral. Só que ninguém em Macapá sabe!! A mídia local, que parece folheto informativo/publicitário do governo, não citou nem uma linha desse processo. A revista Veja divulgou reportagem sobre o processo de cassação, e Waldez mandou recolher todas as veja da cidade. Pra reprimir a Veja é porque o negócio é feio né?
o mesmo Waldez responde em brasília a um processo de cassação por suposta (escancarada) fraude eleitoral. Só que ninguém em Macapá sabe!! A mídia local, que parece folheto informativo/publicitário do governo, não citou nem uma linha desse processo. A revista Veja divulgou reportagem sobre o processo de cassação, e Waldez mandou recolher todas as veja da cidade. Pra reprimir a Veja é porque o negócio é feio né?
terça-feira, 10 de março de 2009
como se soltos na água do rio
2009, uns meses, uma década, umas horas de boa conversa, tempo que a saudade estica ou o prazer encolhe. Distancias sensitivas, tempos da humanidade, padrões de humanidades distintas, macro jeitos de ser. Portais dimensionais da consciência e flutuação das taxas de juros. Expectativa dos expectadores.
Flutuando já fora de onde não criei raízes, São Paulo. Norte. Inverno, muita chuva. Querem destruir a maior feira de embarcações da cidade para o niemeyer fazer o museu do homem da amazônia. Ridículo. Vou lá protestar. O Brasil tem 207 milhões de cabeças de gado. Ulha disque.
Flutuando já fora de onde não criei raízes, São Paulo. Norte. Inverno, muita chuva. Querem destruir a maior feira de embarcações da cidade para o niemeyer fazer o museu do homem da amazônia. Ridículo. Vou lá protestar. O Brasil tem 207 milhões de cabeças de gado. Ulha disque.
Assinar:
Postagens (Atom)